Crime de Unaí 35 meses
28/12 AAFIT/MG
Hoje à tarde, às 14 horas, a AAFIT/MG realiza manifestação pela agilização do julgamento dos acusados pelo crime de Unaí. Foram assassinados três Auditores Fiscais do Trabalho Eratóstenes, João Batista e Nelson e o motorista Ailton, no dia 28 de janeiro de 2004..
As manifestações foram retomadas no mês de junho deste ano. O presidente da Associação, José Augusto de Paula Freitas, afirma que a demora do julgamento dos nove acusados faz com que a sociedade se esqueça da gravidade do que ocorreu. “A intenção da AAFIT/MG é chamar a atenção da sociedade e da Justiça. Precisamos colocar um ponto final neste caso e isso será feito quando os acusados forem condenados e punidos”.
Vários recursos apresentados pelos advogados de defesa tramitam na Justiça Federal, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Três acusados já conseguiram habeas corpus e aguardam o julgamento em liberdade. Entre eles estão os dois fazendeiros acusados de serem mandantes do crime: Norberto e Antério Mânica. Antério, eleito prefeito de Unaí, tem direito a julgamento em foro especial.
A manifestação está marcada para acontecer na entrada da DRT/MG. O Delegado Regional, Antônio Lambertucci, disse que o atendimento da Delegacia será interrompido durante o Ato Público.

Crime de Unaí A violência não pode ser o normal
28/12 AAFIT/MG
Na última manifestação do ano pela agilização do julgamento dos acusados pelo crime de Unaí, a AAFIT/MG reuniu nesta tarde de quinta-feira, 28 de dezembro, cerca de 50 Auditores Fiscais do Trabalho AFTs e servidores do ministério do Trabalho e Emprego na porta da Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais. O público que é atendido pela DRT/MG foi abordado com panfletos que resumiam o caso e foi chamada a participar deste Ato, que não é só dos servidores do MTE, mas de toda a sociedade. Como vem acontecendo todos os meses, desde junho/2006, participaram também representantes de outras categorias de trabalhadores, como os metalúrgicos de Ouro Branco, os bancários de BH e Região, CUT/MG e os motoboys.
São 35 meses do assassinato, sem que os culpados, já identificados e indicados para ir a júri popular, sejam punidos.
Todos destacaram que é necessário fazer um movimento maior, ir a Brasília, pressionar o Poder Judiciário, fazer mais barulho. Santana, do Sindicato dos Metalúrgicos de Ouro Branco, lembrou que enquanto uma trabalhadora que rouba um pote de manteiga é presa, assassinos frios permanecem soltos e isso tem que ser mudado. Reiterou que os metalúrgicos continuarão acompanhando e apoiando a luta pela punição dos acusados pelo crime de Unaí. Lamentou que o ano de 2006 termine sem que o julgamento acontecesse. Mas firmou sua esperança de que em 2007 o desfecho será diferente.
Fahid Tahan Sab, ex-presidente da AAFIT/MG e do SINAIT, disse que “as lágrimas já secaram e o luto já passou. Agora é Justiça para quem tirou a vida de quatro chefes de família e que ofendeu frontalmente o governo do Estado. Este crime foi além de um crime contra a vida; foi um crime com fundamento político contra a legislação trabalhista no campo para proteger os mais fracos da sanha do capital e dos mais ricos”. Ele ressaltou como tem sido fácil para os mandantes do crime conseguirem habeas corpus, muito mais fácil do que para os pistoleiros que permanecem presos. Com advogados famosos os casos se arrastam por muito tempo. Fahid vê nisso alguma coisa errada. Pensa que é hora de partir para a ofensiva, instando as autoridades de todos os Poderes para pedir a imediata alteração na lei dos ritos processuais para impedir que a impunidade continue. “È uma nova jornada, em nome do julgamento já e em nome do Estado brasileiro”.
Crime contra a sociedade
O crime que vitimou os quatro servidores do MTE, segundo o presidente do Sindicato dos Moroboys, Rogério, não foi somente um crime contra quatro pessoas, mas foi um atentado contra a Nação inteira. “A população tem que saber que esta Casa (o MTE) é para zelar e defender os interesses do povo. Meu direito foi atacado como trabalhador, quando mataram o fiscal, impediram que ele me defendesse”. Ele ressaltou a banalidade dos crimes que estão sendo cometidos. Criticou os meios de comunicação, que filtram as informações que chegam para a população: “o que ficamos sabendo é muito pouca coisa. A população tem que tomar a decisão de reagir e tomar para si as rédeas da situação”.
Ricardo Deusdará, chefe da Seção de Saúde e Segurança do Trabalho da DRT/MG, disse que os AFTs entendem que a Justiça está muito lenta, que três anos é muito tempo para que os culpados ainda não tenham recebido a punição adequada. O sentimento de impunidade gerado é muito ruim para a fiscalização e para a sociedade. Lembrou que alguns crimes recebem tratamento diferenciado, como o assassinato da irmã Dorothy que, em poucos meses foi solucionado e os assassinos já estão na cadeia, por causa da pressão feita pelo governo americano. “É preciso que o Judiciário marque a data deste julgamento, para que se faça Justiça e que os familiares e amigos dos colegas tenham mais tranqüilidade para trabalhar. Esperamos que no ano que vem, em dezembro de 2007, não estejamos mais aqui, reclamando e pedindo que se faça Justiça, porque ela já terá sido feita”.
Ricardo Henrique, representante da CUT/MG e do Sindicato dos Bancários de BH e Região, trouxe a solidariedade de todos os trabalhadores e o compromisso de lutar pelo julgamento dos mandantes e dos que cometeram o assassinato dos quatro colegas em Unaí.
O ano que não terminou
Dirigindo-se especialmente às pessoas que passam em frente à DRT/MG, o delegado regional do Trabalho Antônio Roberto Lambertucci esclareceu o motivo da manifestação. Exaltou que, num balanço do ano, vê pontos positivos e negativos, sendo um ponto negativo, “o sentimento de que o ano de 2004 não terminou”, assim como os anos de 2005 e 2006. E só terão fim quando o caso for definitivamente encerrado, com a punição dos acusados do crime de Unaí.
Lambertucci destacou a importância e a relevância do trabalho dos AFTS, que permitem que milhares de trabalhadores tenham dias mais felizes por causa da atuação da Fiscalização do Trabalho, evitando acidentes e mortes, assegurando o cumprimento da legislação trabalhista “fazendo com que ela seja fato e não letra morta enterrada nas gavetas dos tribunais. É o ministério do Trabalho que faz isso. Os AFTs realizam uma verdadeira missão de defender o lado frágil da relação de trabalho, de forma eficiente e comprometida. Os quatro colegas mortos fazem parte desta história, que nos faz melhores como seres humanos. Esse é o lado positivo, que exalta a vida”.
O delegado voltou a falar da persistência dos que, mês a mês, comparecem à manifestação, sem desanimar, sem perde a fé na Justiça. Ele desejou a todos um ano de 2007 melhor que 2006, trabalhando com afinco para que as oportunidades para as pessoas de má índole e má fé não sejam criadas no dia a dia do trabalho da fiscalização”.
Violência não é normal
José Augusto, presidente da AAFIT/MG, fez uma reflexão: “é simbólico que estejamos aqui na portaria da DRT/MG, por onde nossos colegas entraram um dia, por um concurso difícil, porque acreditavam na legislação e na justiça social. E saíram daqui um dia, para ir a Unaí fiscalizar, porque acreditavam na sua missão e foram numa viagem exaustiva, com diária insignificante, tendo que levantar de madrugada, andar em estradas poeirentas, para defender as pessoas mais pobres do mundo exploradas pelas pessoas mais ricas do mundo. A plantão de feijão de Unaí fez da família Mânica a maior plantadora de feijão do mundo. Eles não precisavam disso, podiam ter sido agentes de justiça social. Esses colegas foram e não voltaram”.
A sociedade, segundo José Augusto, está ficando anestesiada, começando a achar normal a morte, a violência. “Fico apavorado porque estão matando sem ódio, sem motivo. A sociedade está começando a achar a morte normal. Os motivos são os mais fúteis. Uma sociedade que acha isso normal torna-se uma sociedade anômala. O ser humano está chegando aos limites do imponderável, do insustentável”.
Lembrou que o objetivo de fazer a manifestação é “lembrar à sociedade que temos obrigação de não achar normal, de não nos acomodarmos diante da violência. E mais do que a violência, a fonte dela: a impunidade”.
Conclamou a todos para estarem presentes em janeiro, quando completam-se três anos, numa grande manifestação, “cobrando do Estado brasileiro que tenha vergonha na cara, uma cara que não comporta ficar vermelha de vergonha. Nunca quisemos vingança, porque nada vingará a morte de nossos colegas. Mas a Justiça permitirá, pelo menos, que as viúvas e os órfãos durmam em paz”.
Uma reunião ficou marcada para a semana que vem, no dia 4 de janeiro, na DRT/MG, com a presença do maior número de entidades possível, para organizar uma grande atividade no dia 28 de janeiro/2007.
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