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PUBLICAÇÕES: NOTÍCIAS DE HOJE - 23.12.2008

Brasil gera mais de 2 milhões de empregos de janeiro a novembro

Com os pais empregados, jovens diminuem procura por vaga na RMBH

MEIO AMBIENTE - Fim das sacolas plásticas em BH


22-12-2008 – Ministério do Trabalho e Emprego

Brasil gera mais de 2 milhões de empregos de janeiro a novembro

Entre 2003 e 2008 foram gerados 8.375.918 postos de trabalho celetistas.Atualmente, o estoque de trabalhadores formais no país é de 31,07 milhões. Em novembro, o desempenho do Caged foi negativo em 40 mil vagas

Brasília, 22/12/2008 - De janeiro a novembro a geração de empregos formais no país bateu recorde: foram 2,107 milhões postos de trabalho criados, uma alta de 7,27% em relação ao estoque de dezembro de 2007. Mais gente desfrutando de direitos como férias remuneradas, 13º salário, seguro-desemprego, FGTS. Este resultado é o maior da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para o período, superando em 8,8% o recorde anterior ocorrido em 2007 (+1.936.806 postos de trabalho ou 7,08%).
De acordo com os números do Caged, o nível de emprego formal celetista no país apresentou ligeira queda de 0,13% em novembro em relação ao estoque de assalariados celetista do mês anterior, o que representou uma perda de 40.821 empregos. Tradicionalmente, os dados do Caged mostram que em novembro se verifica uma redução no ritmo de crescimento ou queda no emprego, comportamento esse influenciado por fatores sazonais conjugados com os movimentos conjunturais. Em novembro de 2008 esse declínio do emprego, além de refletir uma marcante sazonalidade, parece indicar a presença dos efeitos negativos da crise financeira internacional. Foi o que divulgou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (22) o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
"Dezembro é um mês que tradicionalmente tem queda de empregos. A média dos últimos anos é de cerca de 300 mil negativos. No entanto, eu acredito que por efeito da crise, que acabou gerando temor nos empresários, novembro apresenta uma antecipação destas demissões. Portanto, espero que dezembro seja um negativo menor do que os anos anteriores e ao final de 2008 tenhamos o recorde de geração de empregos entre 1,8 milhão e 1,95 milhão de postos celetistas. Garantindo o maior resultado da história do Caged", destacou o ministro Lupi, lembrando que o recorde anterior fora em 2007, com 1,617 milhão de vagas formais criadas.
Nos últimos 12 meses, o montante de empregos criados atingiu 1.787.736 empregos formais (6,10%), resultado 10,4% acima do saldo anterior para semelhante período (dezembro a novembro), ocorrido em 2007 (+1.619.313 postos de trabalho ou 5,85%).
Entre 2003 e 2008 foram gerados 8.375.918 postos de trabalho celetistas.Atualmente, o estoque de trabalhadores formais no país é de 31,07 milhões.

Setores de atividade econômica - Em termos setoriais, o desempenho de novembro foi determinado pela conjugação de movimentos distintos: expansão nos setores associados ao consumo de fim de ano (Comércio e Serviços) e queda nos demais setores, sobressaindo a Indústria de Transformação, Agricultura e Construção Civil. Tais desempenhos estão influenciados pela entressafra no centro-sul do país (cana-de-açúcar, café) e pelo período de chuvas, alimentados pelo contexto macroeconômico.
O Comércio respondeu pela criação de 77.886 empregos ou expansão de 1,15%, proveniente da criação de 71.580 postos (+1,26%) no segmento Varejista e do aumento de 6.306 postos de trabalho (+0,56%) no segmento Atacadista. O setor de Serviços, por sua vez, foi responsável pela geração de 39.296 postos de trabalho (+0,32%), impulsionado principalmente pelos segmentos de Serviços de Alojamento, Alimentação e Reparação (+14.662 postos ou +0,34%), de Serviços de Comércio e  Administração de Imóveis e Serviços Técnicos Profissionais (+14.462 postos ou +0,46%) e dos Serviços Médicos Odontológicos (+7.285 postos  ou 0,58%), o melhor resultado para o mês da série histórica do Caged.
A Indústria de Transformação registrou uma queda em novembro de 1,07% no contingente de assalariados com carteira assinada em relação ao mês anterior, resultante da perda de 80.789 empregos. Tal comportamento decorreu do declínio de todos os segmentos do setor, cabendo destacar a Indústria de Produtos Alimentícios e Bebidas (-13.524 postos ou -0,73%), Indústria de Material de Transportes (-11.634 postos ou -2,22%), Indústria Metalúrgica (-10.960 postos ou -1,44%) e Indústria de Calçados (-9.841 postos ou -2,95%).
Na Agricultura, a redução de 50.522 empregos (-2,97%) pode ser atribuída fundamentalmente à variável de cunho sazonal, uma vez que os resultados de novembro dos últimos três anos estão próximos do ocorrido em novembro de 2008. Em novembro de 2007, a variação foi de -43.105 postos (-2,59%), sendo de -50.757 postos (-3,12%) em novembro de 2006 e de -57.088 postos (-3,50%) em novembro de 2005.
A Construção Civil, após um período de expressivas taxas de crescimento, apresentou uma perda de 22.731 empregos ou redução de 1,24%. Este resultado pode ser justificado, em parte, pelo componente sazonal relacionado ao período de chuvas, já mencionado. Na série do Caged, com exceção do mês de novembro de 2007, no qual se verificou uma geração de 7.811 postos, nos demais meses se presenciou uma variação negativa que oscilou entre -3.515 postos em novembro de 2005 a -27.301 postos em novembro de 1998.
"Normalmente novembro não é bom mês para a Construção Civil. Mas este setor continua sendo o que mais cresceu em 2008, 18,32%. O último mês foi de fortes chuvas em boa parte do Brasil, além disso havia o temor por falta de crédito. No entanto, o FGTS liberou mais recursos para a construção. O governo está tomando as atitudes necessárias para que o dinheiro chegue ao investidor e ao consumidor. Então, a partir de janeiro, nós vamos ter a construção civil reativada, sendo em março mais fortemente", disse Lupi.

Regiões - Em novembro, ao tomar como referência o recorte geográfico, verificou-se que as regiões Sul (+11.711 postos de trabalho criados ou aumento de 0,20%) e Nordeste (+8.287 postos ou +0,19%) expandiram o nível de emprego e as demais registraram quedas: Sudeste, -38.397 postos de trabalho (-0,22%), Centro-Oeste, -15.046 postos de trabalho  (-0,68%), Norte, -7.376 postos de trabalho (-0,58%).

Estados - As informações por Unidades da Federação mostram que os destaques positivos couberam aos estados do Rio de Janeiro (+17.547 postos ou +0,59%), Rio Grande do Sul (+8.036 postos ou + 0,39%) e Ceará (+4.245 postos ou +0,58%). Por outro lado, os maiores declínios nos números de empregos ocorreram nos estados de Minas Gerais (-33.921 postos de trabalho ou -1,01%), São Paulo (-20.884 postos ou -0,20%), Mato Grosso (-8.025 postos ou -1,76%) e Goiás (-6.238 postos ou -0,74%). Tais desempenhos estão fortemente influenciados pela entressafra no Centro Sul do País, como também por fatores conjunturais.

Interior x área metropolitana - Em novembro, em função da sazonalidade positiva de fim de ano, o emprego formal celetista no conjunto das áreas metropolitanas cresceu 0,25%, equivalente ao aumento de 32.076 postos de trabalho. Em sentido oposto, os municípios dos estados não integrantes desses aglomerados urbanos apresentaram redução de 56.675 postos de trabalho (-0,49%), devido à influência negativa do ciclo agrícola nesses espaços geográficos, durante essa época do ano.

23-12-2008 – Hoje em Dia

Com os pais empregados, jovens diminuem procura por vaga na RMBH

Cássia Eponine - Repórter

A queda sistemática do nível de desemprego na Região Metropolitana de Horizonte (RMBH) nos últimos meses levou à redução, em novembro, do contingente de pessoas à procura de trabalho. A saída de 20 mil pessoas da disputa por uma vaga se refletiu em uma retração no índice de desemprego para o mês, que caiu a 8,3%, o menor patamar desde o início da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (PED), em 1996. Em outubro, o índice foi de 9%.
Segundo os coordenadores da pesquisa, o baixo índice de desemprego, principalmente entre os chefes de família, tem contribuído para diminuir a pressão sobre os jovens para a busca de trabalho temporário – característico dessa época do ano. Além disso, há a hipótese de que o efeito psicológico da crise financeira internacional tenha interferido no ânimo da população para a disputa de um lugar ao sol no mercado de trabalho.
“Com tanta informação sobre crise, as pessoas acabam influenciadas. Sem a necessidade de ser arrimo de família, o jovem acaba adiando a sua procura”, avalia o coordenador técnico da pesquisa pela Fundação João Pinheiro, Plínio Campos Souza. Houve aumento de postos na indústria (7 mil), em serviços (2 mil) e no comércio (2 mil). As principais retrações foram registradas na construção civil (-3 mil) e no emprego doméstico (-7 mil). Para o coordenador técnico da pesquisa pelo Dieese, Mário Rodarte, a queda na construção civil não guarda relação com a crise. Essa redução na construção civil é normal para a época e está relacionada às chuvas. É esperado que aconteça um adiamento das contratações até o período de estiagem”, justifica Rodarte, lembrando que o setor cumula crescimento de 9,3% nos últimos 12 meses. Segundo o vice-presidente de Relacionamento com Investidores da MRV, Leonardo Corrêa, apesar da crise, foram poucas as modificações no cenário da concessão de crédito imobiliário no país. “Quem pretende comprar um imóvel no ano que vem deverá encontrar um cenário da concessão de crédito imobiliário muito parecido com o deste ano”, destaca. A empresa prevê a contratação de 2 mil novos colaboradores no primeiro trimestre de 2009. Para o coordenador do Observatório do Trabalho da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), Mateus Cópio, só no primeiro semestre do próximo ano será possível mensurar os efeitos da crise no nível de emprego. “O aquecimento de fim de ano pode estar camuflando seus impactos”, opina.

Fechadas 40 mil vagas de empregos formais
BRASÍLIA - O número de empregados formais em novembro caiu 40.821, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). É a única queda registrada em um mês de novembro desde 2002. Em 2007, foram criados 124.554 empregos no mesmo mês.
Em relação ao mês de outubro, foi registrada uma queda de 0,13%. “No mês em análise, esse declínio do emprego, além de refletir forte sazonalidade, parece indicar a presença dos efeitos negativos da crise financeira internacional’’, afirma o relatório. De janeiro a novembro de 2008, foram criados 2.107.150 postos de trabalho, recorde na série histórica para o período. “Dezembro está invertendo a tendência. O crescimento médio de dezembro será de 10% em relação a dezembro de 2007’’, adianta o ministro do Trabalho, Carlos Luppi.
O setor que apresentou o pior desempenho foi o da indústria de transformação (alimentos, metalurgia, calçados, etc.), com redução de 80.789 empregos. Só a indústria de produtos alimentícios e bebidas apresentou uma queda de 13.524 postos.
Na agricultura, houve uma redução de 50.522 empregos. Para o ministro, a queda é reflexo da entressafra no Centro-sul do país. “Aqui não tem efeito da crise, é a época do ano mesmo’’, disse.
Na construção civil, houve uma queda de 22.731 postos de trabalho. Por outro lado, Os setores de comércio e serviços apresentaram um crescimento na geração de empregos, com 77.866 e 39.298 novos postos de trabalho, respectivamente.
A Região Sudeste teve a maior queda no número de empregos, com 38.397 postos extintos. No Centro-Oeste houve uma queda de 15.046 empregos, e no Norte, 7.376. Sul e Nordeste apresentaram um crescimento no número de empregos de 11.711 e de 8.287, respectivamente. Os números do Caged consideram o saldo registrado no mercado formal, ou seja, o número de contratações menos o número de demissões.
O ministro Lupi disse acreditar numa melhoria no cenário mundial após a posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, no fim de janeiro. “Os Estados Unidos já atingiram o fundo do seu poço. Está há um ano em recessão”, ressaltou.
Apesar do desempenho de novembro, com queda de 40.821 empregos, Luppi acredita que o mês de dezembro terá um desempenho melhor do que o de 2007. No ano passado, em dezembro, foram cortados 319 mil postos. A queda, neste ano, ficará abaixo dos 300 mil. “Houve uma antecipação em alguns setores por causa dos estoques”, afirmou.

Lupi sugere que empresa divida lucros
BRASÍLIA - O ministro do Trabalho, Carlos Luppi, disse ontem que os empresários devem ter “consciência nacional” e dividir os lucros que tiveram até agora com os trabalhadores brasileiros. Ele rechaçou os pedidos de flexibilização nas leis trabalhistas durante a crise, para evitar novas demissões.
“Na hora do lucro, não chamaram o trabalhador para dividir. Quando fala em flexibilização trabalhista, eu quero saber da flexibilização dos lucros, quando vai ser?”, disse.
O ministro recorreu ao mesmo argumento utilizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última quinta-feira. Em evento em Brasília, Lula negou que o Governo estude flexibilizar as leis trabalhistas para evitar o desemprego e disse também que os empresários devem usar os lucros acumulados para pagar funcionários.
“Acho que uma parte dos empresários deveria pagar com uma parte dos lucros que acumularam. O Governo não vai deixar de assumir a responsabilidade de cuidar dos trabalhadores, mas nenhum empresário ainda tem motivo para mandar um trabalhador embora”, afirmou o presidente.
Luppi disse que ainda é cedo para discutir o aumento do número de parcelas do seguro desemprego e que é preciso acompanhar os reflexos da crise no mercado de trabalho nos próximos meses

23-12-2008 – Estado de Minas

MEIO AMBIENTE - Fim das sacolas plásticas em BH

Prefeitura adota medida pioneira e regulamenta lei que obriga o comércio a usar embalagens recicláveis

Pedro Rocha Franco

Antes de sair de casa para fazer compras no supermercado, a médica Irene Adams nunca esquece de levar sacolas recicláveis para carregar os produtos. Ela adotou o costume nos últimos anos em visita à filha, Annemarie Hanlon, e aos netos, que moram na Bélgica e a ensinaram o hábito ecologicamente correto. Agora, em Belo Horizonte, a prática de Irene se tornou lei. A partir de 28 de fevereiro, os moradores da capital também devem repensar o modo como tratam o meio ambiente. BH é a primeira cidade do país a obrigar estabelecimentos comerciais a substituirem as sacolas plásticas por outras feitas de material biodegradável ou reciclado.
O decreto que regulamenta a Lei Municipal 9.529, de autoria do vereador Arnaldo Godoy (PT), foi publicado na edição de sábado do Diário Oficial do Município (DOM). De acordo com as disposições preliminares, farmácias, supermercados, açougues, lojas de roupa e outros centros de venda têm prazo de três anos para fazer a modificação. Segundo a secretária Municipal de Meio Ambiente, Flávia Mourão, a nova legislação deve contribuir para a conscientização da população e a mudança de comportamento em favor da causa verde. “Uma simples sacola de supermercado pode demorar até 400 anos para se decompor e em toda compra se leva pelo menos uma. É preciso criatividade e participação da população para serem criados novos costumes, inclusive com relação à produção de lixo”, afirma. Diariamente, equipes da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) recolhem cerca de 4 mil toneladas de lixo, entre domicílios e comércio.
Nascida na Holanda e morando no Brasil há 32 anos, a médica Irene carrega duas sacolas recicladas: uma para as compras e outra exclusiva para garrafas. As medidas foram praticamente todas aprendidas na Europa. “Lá, em cada casa são quatro lixeiras, uma para cada tipo de material. Minha filha paga pelo lixo produzido e alguns produtos têm data certa para ser entregues. Por exemplo, camarão ela só pode comer dois dias antes de ser feito o recolhimento, senão ninguém suporta o cheiro.” Segundo ela, o efeito é notado anualmente. “Cada vez se produzem menos dejetos na Bélgica. Custa pouco e a diferença é enorme”, afirma.
Também no exterior, a bancária aposentada Anizia Wanderley, de 56, adotou novas práticas ambientais. A sobrinha mora na Alemanha e, segundo ela, cada um leva sua própria sacola de pano ao supermercado. “Preciso salvar o planeta para minha neta”, diz, pensando no futuro de Liliane, de 2, moradora da Califórnia, nos Estados Unidos. Ontem, porém, ela esqueceu a embalagem em casa e carregou mais de 30 novas. “Sinto culpa. Mas até deixei a cerveja fora para não gastar mais”.

SELOS
Com a regulamentação do novo texto, ficam também criados dois comprovantes que atestam a adoção de medidas favoráveis ao meio ambiente: Selo Atitude Ambiental e o Socioambiental. Todos os órgãos públicos e estabelecimentos comerciais que aderirem à prática podem requisitá-los. A rede Verdemar Supermercado e Padaria deve reivindicar o título. Antes da elaboração da nova lei, três medidas foram tomadas para troca das sacolas de plástico por outras de produtos que afetam em menor proporção o ecossistema.
Desde junho do ano passado, as três lojas da rede usam sacolas feitas de material oxibiodegradável, que demora até 18 meses para esfarelar. Além disso, por meio de parcerias com fabricantes, na compra de produtos da marca o cliente recebe um saco de material reciclado, produzido com banner por moradores de aglomerados da capital. Ao todo, foram feitas 5 mil unidades e restam apenas 600. Segundo a analista de marketing do grupo, Maria Fernanda Fonseca, a campanha tem incentivado muitas pessoas a mudarem o costume. “Mensalmente, compramos mais de 2 milhões de sacolas. Mas, a melhor opção é o consumidor trazer de casa”, afirma. O material oxibiodegradável ainda não tem efeito confirmado. Apesar de o tempo de decomposição ser muito menor, a destinação dos produtos químicos ainda não é confirmada e estudos podem comprová-la, já que o preço é somente 10% mais caro que as usadas atualmente.

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