A dois dias de completar 5 anos, a Chacina de Unaí continua viva para familiares e amigos dos servidores assassinados. Nesta segunda-feira, 26, a Câmara Municipal de Belo Horizonte realizou audiência solene para lembrar a data e cobrar justiça. Maria Inês Lima de Laia, Genir Geralda Lage e Marlene Oliveira, viúvas de Eratóstenes, João Batista e Ailton, estiveram presentes na solenidade. A viúva de Nelson da Silva, Elba Soares, vai se juntar a elas nos protestos do próximo dia 28, em Brasília.

A presidente da Câmara, vereadora Luzia Ferreira, disse que é um dever daquela casa prestar solidariedade às famílias e lutar pela punição dos culpados. Luzia Ferreira entregou às viúvas presentes na cerimônia uma mensagem que dizia que “o crime feriu a dignidade do povo brasileiro, ao calar a voz daqueles que agiam pela garantia dos direitos trabalhistas e em defesa dos direitos humanos. O continuado protelamento do julgamento dos envolvidos golpeia os princípios da Justiça, da democracia e do estado de direito do Brasil”.
O presidente da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais (AAFIT/MG) e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT), José Augusto de Paula Freitas, lembrou que a demora em solucionar o caso é a arma da defesa para que a opinião pública se esqueça da tragédia. “Os colegas foram executados em defesa do estado brasileiro e o país tem que punir os culpados”, disse.
Maria Inês de Lima falou em nome das viúvas. Ela agradeceu a homenagem prestada pela Câmara e disse que havia decidido não falar sobre o crime, numa forma de fazer um protesto silencioso em função da morosidade da Justiça, mas repensou sua decisão. “Nossa indignação é muito grande. Há cinco anos estamos pedindo justiça e quero dizer que nossa perda não é só emocional, essa espera faz com que a gente perca a nossa dignidade também”, lamentou.
A procuradora do trabalho Adriana de Moura Souza, que representou a procuradora-chefe, Elaine Nassif, lamentou que ainda ocorra no Brasil fatos como a chacina de Unaí, que vitimou profissionais comprometidos com a defesa do trabalho decente. “O crime não foi contra pessoas, mas contra a fiscalização do trabalho, que é uma instituição que envolve vários segmentos”. Ela lembrou que o AFT Nelson da Silva, tinha um trabalho que apontava problemas na região. “É importante este tipo de manifestação até que os culpados sejam presos. Até agora a verdade não veio à tona e as provas não são conhecidas por todos”, acrescentou.
Para o presidente do Instituto Mineiro das Relações do Trabalho, Carlos Calazans, que presidia a Delegacia Regional do Trabalho de Minas (DRT-MG) à época, lembrar o crime é pedir justiça e a brevidade do processo. “Queremos que a União assuma esse crime. Os trabalhadores foram mortos no cumprimento do dever e não podemos nos calar. Ficamos seis meses sem falar e o Antério Mânica, foi condecorado pela Assembléia Legislativa”, lamentou. Antério Mânica, um dos acusados de ser mandante do crime, foi condecorado com a Medalha de Mérito Legislativo no úlltimo mês de novembro. Calazans, que havia recebido a medalha pela sua atuação no combate ao trabalho escravo, devolveu a comenda.
Mais protestos
Nesta quarta-feira, dia 28, familiares, amigos e colegas de trabalho de Eratóstenes, Nelson, João batista e Aílton participam de um Ato de Protesto e de um culto ecumênico em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília, para exigir a aceleração das investigações e a punição dos culpados. O protesto, que é uma iniciativa do SINAIT e da AAFIT/MG, acontece às 10 horas.